Voltando para casa me pego olhando as árvores da minha rua, e relembrando os comentários que fazia com meu pai percorrendo o mesmo caminho... Minha curiosidade com a forma dos troncos, com as formas e cores das flores... Me ocorre então que muito provavelmente essas árvores estarão ali quando eu já tiver partido. A única coisa que poderia derrubá-las em um curto espaço de tempo seria a estupidez humana.
Seus ciclos são longos, sua nobre tarefa de reter a umidade da terra e a pureza do ar é extensa, fundamental e continuamente ignorada... Enquanto isso corremos com nossas vidas breves desperdiçando-as na maioria das vezes e, quando estão cheias de propósito, o tempo escoa, foge de nós! Sinto que todos estes seres da natureza cumprem seus ciclos para o tempo de nossas vidas alinharem-se com seus propósitos para este mundo, e nossa própria humanidade. Viemos para viver e achar uma função para que a força de nossas vidas inspire, molde e mova outras vidas num mesmo movimento... Ao final de tudo só importa o tanto de corações que tocamos, inspiramos, esclarecemos, aconchegamos, e aliviamos de seus fardos para que cumprissem seus próprios sentidos para outros. Assim a individualidade de nossas existências segue num contínuo que se inicia naquele que tocamos e se estende até aquele que nunca saberá de nós, mas que colherá o fruto do nosso legado.
Essa missão é de tal importância que um planeta cheio de possibilidade de vida nos foi dado para cumpri-la. E ainda assim muitos só passarão por ele. Me sinto grato por estar fazendo valer minha passagem por este mundo, onde dedico minha vida a abrir consciências, e a ampliar a minha própria até onde me for permitido.