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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

As Vítimas do Medo

Um alerta epidemiológico sobre a febre amarela, emitido pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (Cevs/RS) nesta semana, traz recomendações de controle e vacinação aos municípios gaúchos. Isso foi motivado por um surto da doença no Sudeste do Brasil.
A Secretaria Estadual de Saúde lembra que a última vez que a doença foi registrada no Rio Grande do Sul foi entre os anos de 2008 e 2009. Naquela ocasião, nove pessoas morreram em decorrência da doença. Alguns macacos também foram infectados.
“Os macacos se comportam como sentinelas da febre amarela. A doença é transmitida por mosquitos. Mesmo doentes, os macacos não têm a condição de infectar. Apenas os mosquitos têm”, esclarece o veterinário Marcelo Cunha.
Por isso, os macacos são um sinalizador para alerta da doença, e não um transmissor. “Os macacos são afetados antes dos seres humanos. Como os animais estão nas matas, mais expostos aos mosquitos, eles são mais sensíveis. Quando um macaco aparece doente, isso é um sinal que nós humanos estamos expostos também”, explica.


O veterinário Marcelo Cunha trabalha no GramadoZoo, na Serra. Na última semana, dois bugios com ferimentos,  aparentemente causados por humanos, foram encaminhados ao zoológico.
Um dos bugios está em tratamento e outro morreu
ao chegar no zoo (Foto: Reprodução/RBS TV).

Os veterinários e biólogos suspeitam que as agressões tenham sido feitas por moradores de proximidades da região, após uma relação precipitada entre os macacos e a febre amarela.
Conforme o veterinário Marcelo Cunha, “foi uma coincidência muito grande” dois macacos terem sido feridos depois da notícia da morte de dezenas de animais por suspeita de febre amarela no Sudeste do país. O primeiro bugio, vindo de Nova Petrópolis, foi levado ao zoológico no dia 9 de janeiro.
“Ele tinha ferimento cortante na mão direita, e tinha no olho direito uma dilaceração muito grande. Felizmente, não atingiu o olho. Esses não são ferimentos de briga característica entre eles. Agora, o bugio está se recuperando bem. Ele é um adulto de idade avançada”, explica Cunha.
Famílias de Bugios ameaçadas pela febre amarela
e pela estupidez humana!

O segundo bugio era jovem e foi levado ao zoo, no dia 12, e era da mesma região do macho adulto. “Ele foi ferido com tiro de chumbinho, e não sobreviveu. Tinha quatro marcas de tiro. Ele passou pelos atendimentos e não aguentou, morrendo no mesmo dia que chegou”, afirma a bióloga Tatiane.

Se outros macacos machucados forem encontrados, é necessário acionar a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) ou a Patrulha Ambiental. Mais uma vez, o veterinário lembra: “mesmo doente, o bugio não vai contaminar ninguém, ele é apenas um sinalizador da doença, por isso é importante localizá-lo”.
De acordo com a Fiscalização Ambiental de Nova Petrópolis, os bugios estão entre as espécies ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul devido à destruição de seu habitat natural, à caça e ao comércio clandestino. “Estes fatores agravam o estado de conservação desta espécie, que serve de sentinela para a febre amarela”, pontuou a fiscal ambiental, Cássia Hoffman.
Fonte: G1 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Um Milhão de Animais Mortos nas Estradas...

BR-101, norte do Espírito Santo, setembro de 2015. Um caminhoneiro sente um cheiro forte e localiza uma anta --o maior mamífero terrestre brasileiro-- na margem da pista, em estado avançado de decomposição.

Cinco meses antes, no mesmo trecho da rodovia, biólogos encontraram uma fêmea adulta de harpia, a maior ave de rapina das Américas, debilitada por fraturas e hematomas. Por ali, restos de retrovisor de caminhão. No mês anterior, a vítima fora uma onça-parda. As cenas com espécies ameaçadas de extinção são um retrato de um filme que não sai de cartaz no Brasil: a matança de animais por atropelamentos em estradas.


Essa é, de longe, a principal causa de morte de bichos silvestres no país, superando caça ilegal, desmatamento e poluição. São 15 animais mortos por segundo, ou 1,3 milhão por dia e até 475 milhões por ano, segundo projeção do CBEE (Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas), da Universidade Federal de Lavras (MG).

Quem puxa a lista são os pequenos vertebrados, como sapos, cobras e aves de menor porte --respondem por 90% do massacre, ou 430 milhões de bichos. O restante se divide em animais de médio porte (macacos, gambás), com 40 milhões, e de grande porte (como antas, lobos e onças), com 5 milhões.

A situação, dizem especialistas, é o resultado natural para um país que desconsiderou os bichos ao planejar as rodovias e ainda dá os primeiros passos na adoção de medidas para minimizar os impactos das vias.

Corrida Contra o Tempo

"Está acontecendo uma desgraça total e não temos tempo nem de estudar o que ocorre", disse à BBC Brasil Áureo Banhos, professor do departamento de biologia da Universidade Federal do Espírito Santo.

Banhos coordena um time que monitora os atropelamentos no trecho de 25 km da BR-101 que corta uma das manchas verdes mais intactas do país. É um mosaico de 500 km² (ou um terço da cidade de São Paulo) de unidades de conservação rasgado pela pista única da via.

Um exemplo do alerta do professor: das 70 espécies de morcegos identificadas na região, 47 já foram atropeladas na estrada - e uma delas era desconhecida da ciência até então. Ao todo, 165 espécies de diferentes animais perderam a vida por ali (10 anfíbios, 21 répteis, 63 aves e 71 mamíferos) - são 50 mortes por dia apenas nesse ramo da rodovia, ou 20 mil por ano.

Essa floresta integra as reservas de mata atlântica da Costa do Descobrimento, patrimônio natural da humanidade desde 1999. Por ser um raro fragmento contínuo de mata, é o último refúgio na região para várias espécies ameaçadas, como a anta, a onça-pintada, o tatu-canastra e a harpia.

O fotógrafo Leonardo Merçon, do Instituto Últimos Refúgios, fez um trabalho de registro da Reserva Biológica de Sooretama, a maior peça do mosaico verde da região. Impressionado pelos atropelamentos, acabou se engajando nas ações de conscientização para a gravidade do problema.

"Você nem precisa de dados para ver o impacto real do problema", afirma ele. Um vídeo do instituto que registrou uma onça-parda atropelada na estrada teve mais de 1 milhão de visualizações.

Em locais como esse, a perda de um único indivíduo pode ter impacto muito grande sobre a biodiversidade. "Engenheira" dos ecossistemas, por dispersar sementes e servir de presa para grandes predadores, a anta, por exemplo, leva 13 meses na gestação (com um filhote por vez) e demora dois anos entre as concepções. Um possível caminho para os animais cruzarem para o outro lado da via são os dutos de drenagem de água sob a pista, mas nem sempre é simples mudar os hábitos dos animais.

"No parque nacional Banff, no Canadá, os ursos demoraram oito anos para começar a usar esse tipo de passagem", afirma Alex Bager, coordenador do CBEE. No caso da BR-101, apenas 15% dos bichos atropelados usam as manilhas.

Ou seja, talvez seja mais fácil mudar os hábitos dos motoristas, por meio de ações como redução de velocidade, radares inteligentes que multam pela média de velocidade (e não em apenas um ponto) e placas de advertência.

A Eco-101, concessionária responsável pelo trecho da BR-101 em questão, diz que o segmento tem dois radares fixos, velocidade máxima de 60 km/h (especialistas defendem 25 km/h) e dez placas educativas. Afirma ainda promover ações de conscientização e que estuda a "ampliação dos dispositivos de segurança para os animais silvestres".

Ausência de Normas

A situação da BR-101 no Espírito Santo - que ainda enfrenta a perspectiva de duplicação até 2025 - é uma amostra aguda de um problema nacional. São mais de 15,5 mil km de estradas atravessando áreas de conservação.

Os pontos críticos estão por todo o Brasil. Um levantamento do Instituto de Pesquisas Ecológicas em três trechos de rodovias de Mato Grosso do Sul (1.161 km nas BRs 267, 262 e 163) entre abril de 2013 e março de 2014, por exemplo, localizou 1.124 carcaças de 25 espécies diferentes, como cachorro-do-mato (286 mortes), tamanduá-bandeira (136) e jaguatirica (7).

E não há normas nacionais específicas para a construção de rodovias que cortam reservas naturais. Tudo tramita como um licenciamento ambiental padrão. O problema vem mobilizando a classe acadêmica no país. Paralelamente a um boom nos estudos em ecologia de estradas, há articulações institucionais em curso no Congresso e em órgãos ambientais.

Um fruto recente desse debate é o PL (Projeto de Lei) 466/2015, do deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP), que busca tornar obrigatórias ações como monitoramento e sinalização em áreas "quentes" de atropelamentos, além da criação de um cadastro nacional de acidentes com animais silvestres.

Sobre essa última medida, um esforço nesse sentido já partiu da própria academia, com a criação do Sistema Urubu, uma espécie de rede social para compartilhamento e validação de informações sobre atropelamentos de bichos.

No ar há um ano, a iniciativa do CBEE conta com um aplicativo gratuito pelo qual qualquer pessoa pode fotografar e enviar imagens de acidentes com animais. Os registros são enviados para uma base de dados central e são validados por especialistas cadastrados no sistema, tudo online.

Já são cerca de 15 mil usuários cadastrados e mais de 20 mil fotos enviadas. Para entrar no sistema, cada registro precisa ser validado por cinco especialistas, e ter o consenso de três deles sobre qual é a espécie em questão - são 800 "validadores" ativos na rede, cada um especializado numa classe animal.

"Muitas vezes, as pesquisas sobre o tema no Brasil são muito regionalizadas, restritas ao raio da universidade por falta de recursos. Com o sistema poderemos criar um mapa de áreas críticas de atropelamentos no país e usá-lo como política pública de conservação", afirma Alex Bager, do CBEE.

Diante da perspectiva da fase mais explosiva de construção de estradas na história, com pelo menos 25 milhões de km de novas rodovias no mundo até 2050, especialistas defendem que essas intervenções passem, cada vez mais, por estudos de custo-benefício.

Seria um modo de evitar a proliferação de vias em regiões de alto valor ambiental mas potencial agrícola apenas modesto, como a bacia Amazônica. "Construir estradas é abrir uma caixa de Pandora de problemas ambientais, e ainda estamos na pré-história da mitigação de impactos", afirma Banhos.
Fonte: G1 


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ameaça às Florestas de Borneo

Floresta de Borneo, beleza e diversidade biológica ameaçada.


O Greenpeace lançou nesta semana o relatório "Queimando Borneo" (arquivo em PDF para baixar, texto em inglês), expondo os impactos negativos da produção de dendê para as florestas da Indonésia e para os orangotangos que vivem na região. De acordo com o relatório, a Unilever, a empresa por trás de algumas das marcas mais conhecidas do mundo, como a Dove, contribui com o panorama de destruição, já que compra dendê - matéria-prima do sabonete Dove - de fornecedores que destroem as florestas alagadas de turfa para cultivar a palmácea. Esses ecossistemas não são importantes apenas para os orangotangos e outras espécies ameaçadas, mas também para a estabilidade do clima, pois estocam grandes quantidades de carbono.
"É uma loucura continuar destruindo nossas florestas para produzir dendê", disse Hapsoro, da campanha de Florestas do Greenpeace no Sudeste da Ásia. "Uma das demandas que temos feito repetidamente é para que o governo da Indonésia declare uma moratória na conversão de florestas e de solos de turfa para o plantio de dendê. Estamos destruindo nosso patrimônio ambiental para fabricar sabonetes e shampoos. Traders e consumidores de óleo de dendê devem parar de comprar matéria-prima de empresas envolvidas com a destruição florestal".


Quatro décadas de alterações no coberto florestal do Bornéu.
Floresta (verde escuro) e não-floresta (branco), no ano 1973,
e nuvens residuais (azul ciano) no Painel A.
Áreas desflorestadas entre 1973 e 2010 (vermelho). Fonte: pt.mongabay.com

A devastação das florestas na Indonésia está acontecendo em um ritmo muito maior do que em qualquer outro lugar do mundo, tornando o país o terceiro maior emissor de gases do efeito estufa do planeta.
Este vídeo faz parta da campanha do Greenpeace sobre exploração indiscriminada da floresta nesta ilha da Indonèsia:

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Era Uma vez... Marius!


É simplesmente revoltante o modo como nós, ditos seres civilizados lidamos com a vida de outros seres vivos neste planeta. Um Zoo da Dinamarca sacrifica uma girafa filhote de um ano e meio de idade que é morta a tiros e depois retalhada na frente do público, inclusive de crianças, e partes do seu corpo foram atirados aos leões! O diretor do Zoo disse que os genes do animal eram muito parecidos com os de outros em cativeiro e que isso poderia criar proles cada vez mais fracas e doentes se cruzassem. Disse também que pensaram em doar para outros zoológicos do país, mas que todos os animais lá eram parentes da jovem girafa conhecida como Marius. 
Um Zoo sueco quis comprá-lo ao que os dirigentes dinamarqueses disseram que não têm por política vender seus animais, mesmo em face de ofertas milionárias, segundo eles! Então sua política é a de tirar uma vida covardemente e depois transformá-la num show macabro para crianças? Algum deles pensou no que isso pode criar na cabeça desses jovens assistindo uma coisa dessas? Marius foi tratado com indiferença e sem nenhuma dignidade, foi apenas mais uma peça que de repente não coube mais na política da instituição! Vergonhoso! Nojento! E me pergunto: até quando isso parecerá um ato corriqueiro para a maioria da opinião pública???

Leia mais: Fantástico & UOL


sábado, 28 de julho de 2012

Exageros Humanos

Essa semana vi no Facebook uma charge que me deixou mais do que fora do eixo, simplesmente porque por um lado ela denuncia corretamente o comportamento de certos defensores dos direitos dos animais que assumem uma postura anti-humanidade, mas que por outro lado revela a ação de certos observadores que enfocam demasiadamente esse tipo de atitude, tornando ainda mais difícil esse já penoso trabalho, que de modo algum limita-se a colher animais abandonados nas ruas, mas também de defender a vida como um todo e conscientizar as pessoas que a vida é preciosa e que por isso temos todos o direito de usufruí-la!
De coração eu não quero ver crianças sendo exploradas pelas ruas, nas plantações de cana-de-açúcar, nem sendo vítimas de violência doméstica, ou abuso sexual. Não posso ignorar também que isso acontece porque somos 7,5 bilhões de seres humanos nesse planeta, porque ajudamos os pobres a controlar as doenças dos filhos antes de educá-los sobre como criar essas crianças e antes mesmo de elaborar um estatuto de direitos infantis! Para vivermos aqui devastamos matas e extinguimos espécies... E para quê? Só para que pudéssemos ter celulares novos e tablets de última geração? Estabelecemos um sistema econômico predatório não só para a vida selvagem, mas para a própria humanidade. A exploração do trabalho infantil existe porque o sistema exige cada vez mais e mais produção. A pedofilia avança porque a égide capitalista incita a termos aquilo que podemos pagar, e porque a miséria e a fome fazem as pessoas cometerem absurdos! Sem falar que o sexo pelo sexo é um comportamento mais do que aceito, é estimulado! E todas as perversões são “fetiches” possíveis no futuro de um mundo que considera os limites de comportamento a imposição de uma moral retrógrada, e o politicamente correto “careta”... A questão é simples: o que os milhões de animais, selvagens e domésticos, que vivem neste planeta conosco têm a ver com nossa doença social?
Nessa charge, um enconro de incoerências.


Construímos casas, condomínios e campos de golfe para nosso lazer e conforto, e que se danem os ninhos dos animais, seus ciclos de acasalamento, e territórios de caça para alimentação!... Somos a espécie dominante, não é?... Não, não é a esse mundo e a essa humanidade que eu quero pertencer, e exerço meu direito de lutar pelo que acredito, e acredito num mundo onde os filhos dos homens e dos animas possam viver juntos sem violência e exploração. Creio que é possível um mundo em que as pessoas se questionem abertamente sobre o que é saudável para a convivência social. E que se criem sim leis e regras que impeçam o avanço no direito do outro, humano ou animal, de viver sem nenhum tipo de exploração, seja ela sexual, afetiva ou trabalhista. Defendo a criação de carga horária para o trabalho animal tanto quanto defendo o fim do trabalho para crianças. Enfim, eu amo e defendo a vida e amo a humanidade, mesmo quando vejo pessoas cegando gatos para vê-los girar sem noção, ou matando bois a pedradas, ou promovendo rinhas de galos e cães, ou perseguindo em caçadas com armas sofisticadas animais selvagens que dão um duro danado para sobreviver e procriar e, ainda assim, chamam a isso de esporte. Amo a humanidade porque faço parte dela e choro de desespero com tudo isso. Porque sei também que esse tipo de coisa horroriza a maioria das pessoas, e principalmente porque sei que há aqueles que lutam noite e dia para defender toda a vida inocente desta Terra, seja ela bebês focas, ou crianças maltrapilhas das vilas da Índia. Amo a humanidade porque sei que nos falta apenas alargar um pouco mais nossa concepção de vida e de justiça, e porque sei que isso é perfeitamente possível!