sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Os Ciclos das Árvores

Voltando para casa me pego olhando as árvores da minha rua, e relembrando os comentários que fazia com meu pai percorrendo o mesmo caminho... Minha curiosidade com a forma dos troncos, com as formas e cores das flores... Me ocorre então que muito provavelmente essas árvores estarão ali quando eu já tiver partido. A única coisa que poderia derrubá-las em um curto espaço de tempo seria a estupidez humana. 


Seus ciclos são longos, sua nobre tarefa de reter a umidade da terra e a pureza do ar é extensa, fundamental e continuamente ignorada... Enquanto isso corremos com nossas vidas breves desperdiçando-as na maioria das vezes e, quando estão cheias de propósito, o tempo escoa, foge de nós! Sinto que todos estes seres da natureza cumprem seus ciclos para o tempo de nossas vidas alinharem-se com seus propósitos para este mundo, e nossa própria humanidade. Viemos para viver e achar uma função para que a força de nossas vidas inspire, molde e mova outras vidas num mesmo movimento... Ao final de tudo só importa o tanto de corações que tocamos, inspiramos, esclarecemos, aconchegamos, e aliviamos de seus fardos para que cumprissem seus próprios sentidos para outros. Assim a individualidade de nossas existências segue num contínuo que se inicia naquele que tocamos e se estende até aquele que nunca saberá de nós, mas que colherá o fruto do nosso legado. 


Essa missão é de tal importância que um planeta cheio de possibilidade de vida nos foi dado para cumpri-la. E ainda assim muitos só passarão por ele. Me sinto grato por estar fazendo valer minha passagem por este mundo, onde dedico minha vida a abrir consciências, e a ampliar a minha própria até onde me for permitido.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Negócios Sustentáveis...


Um dos maiores desafios do mercado sustentável é combinar preservação de recursos naturais com ganho financeiro. Eis sete negócios que estão crescendo no interesse tanto de empreendedores quando da população em geral, e suas respectivas atribuições enquanto negócio sustentável:

- ARTESANATO DE RECICLADOS -

Lâmpadas transformadas em flores...
Belo exemplo de arte reciclável...
O artesanato no Brasil cresce sem parar, e no mundo todo a arte com material reciclado vem se popularizando, inclusive com exposições em galerias de arte. Os materiais utilizados variam desde o papel, sacos plásticos, pneus, garrafas e todo tipo de material que poderia entupir aterros sanitários ou mesmo parar no mar ameaçando a vida marinha, e poluindo fontes de água potável são transformados em artefatos para o lar, floreiras para jardins, tapetes de piso ou de parede, mantas, quadros... Enfim, as possibilidades são infinitas. O artesanato de recicláveis além de se tornar em peças de grande valor estético e artístico, e também uma fonte de renda, preserva muitas tradições culturais folclóricas. Conforme as regiões do Brasil de que se originam.
Cão feito de metal reciclado, 
do artista Brian Mock.
A arte e o artesanato de recicláveis vêm se expandindo tanto como uma forma de arte, muito mais que uma atividade comercial. Alguns dos praticantes dessa arte alternativa com materiais recicláveis ganharam o status de artistas plásticos, e têm se destacado pelo mundo em exposições em galerias e museus. Nomes como o de Jaime Prades do Brasil, Ann P. Smith dos Estados Unidos, e a japonesa Sayaka Kajita entre outros.

- ANTIQUÁRIOS -

Antiquários, comércio de materiais
antigos e requintados...
De modo geral são estabelecimentos focados no comércio de peças antigas. Que podem variar de mobília a luminárias, relógios antigos, cerâmicas refinadas, camas, vitrines, espelhos, sofás e poltronas de estilo arcaico, tapetes raros e outros objetos que nos fazem sonhar e viajar no tempo. Não raramente há peças com metais e pedras preciosas e madeiras nobres, muito raras, e ameaçadas de extinção. É nesse sentido que os antiquários contribuem imensamente com a preservação desse tipo de material e sua não comercialização. Os antiquários se diferem dos brechós justamente por focar na aquisição produtos refinados e caros! Ainda assim prestam um grande serviço ao meio ambiente!

- SEBOS -

Sebos, reciclando livros e cultura.
É um sinônimo de alfarrábio, ou seja, livros usados, é uma gíria que surgiu no Brasil as livraria que vendem livros usados, ou de edições muito antigas. Os livros feitos de papel, assim como os jornais, consomem grandes quantidades de papel, material a base de celulose, o que acarreta a derrubada de muitas árvores. Entretanto, ao contrário dos jornais os livros têm ajudado a preservar de forma documental grandes obras do saber científico, artístico, histórico e cultural como um todo. A existência de sebos é a prova de que eles exercem um fascínio arrebatador mesmo nos tempos da era digital. Esse também é um negócio que pode ser lucrativo. Livros raros podem custar até R$ 1.000,00, além de ajudar as pessoas que querem se desfazer de seus livros usados a ganhar algum dinheiro. Os livros antigos acabam ganhando valor com o tempo, ainda mais se suas edições forem esgotadas e ou encerradas pela editora. Este é um negócio que ajuda a preservar florestas, além de reciclar e repassar cultura e muito conhecimento rarefeito. Essa é uma atividade que requer um gosto pelos livros, pois é preciso cuidado para preservar os livros que devem estar em muito bom estado, tanto ao serem comprados. Isso influi diretamente no valor das obras.

- ATELIER DE COSTURA - 

A sala de cultura das avós
resgatado com muito estilo.
Ninguém acreditava que as costureiras voltariam com tanta força. O reaproveitamento de roupas ajuda a diminuir o consumo de umas das indústrias mais poluentes do mundo: a indústria da moda. Tanto o plantio quanto a manufatura do algodão do linho, e outros materiais requerem a derrubada de florestas, o uso de pesticidas e a aplicação de outros aditivos químicos que são poluentes. As costureiras não só reparam roupas como criam peças novas, muitas vezes aproveitando tecidos que estavam guardados, sem uso ou possibilidade de utilização!

- SAPATARIA -

Sapataria, tomando novo fõlego!
Outra profissão que parecia fadada ao desaparecimento e que, no entanto, ressurgiu com toda força! As sapatarias e os sapateiros, que são artesãos dos calçados prestam o mesmo serviço que os ateliers de costura e os brechós, o recuperação de calçados diminui a produção dos curtumes e da indústria calçadista, altamente poluente e que em muitos países do oriente se utiliza de mão de obra escrava e infantil! Os sapateiros permitem que fiquemos mas tempo com nossos calçados preferidos, ou mais caras, a custos módicos. O negócio, por ter grande demanda, acaba sendo rentável, embora exija especialização e o manuseio de objetos que mais podem trazer riscos de acidentes.

- BRECHÓS E VINTAGE - 

Brechós, reciclando roupas de estilo e qualidade.
A palavra brechó tem origem em “Belchior”, nome um mercador português de objetos usados que prosperou no Rio de Janeiro em começos do século XIX. Hoje representa uma loja onde roupas usadas e em bom estado são recicladas, e reaproveitadas ao serem novamente postas a venda. Segue o mesmo caminho dos ateliers de costura, enxuga o consumo da indústria da moda, que é uma das que mais poluem fontes de água limpa no mundo. O negócio dos brechós ajuda muito a diminuir isso, como também reduz o comércio de peles novas que demandam a matança de muitos animais. Sem falar que frequentemente se acham nessas lojas roupas de grife renomadas, tanto nacional quanto internacional, a preços acessíveis! Este negócio inclui o comércio de peças vintage (antigo em inglês), que seriam peças do vestuário de ancestrais, como pais, mães, avós, avôs, tios ou tias... Esse vestuário possibilita que se adquiram peças únicas, de ótimo acabamento, algumas vezes tecidos raros, de muita beleza e a preços bons. Claro que para se ter um negócio desses é preciso gosto pela moda, tanto quanto pela cultura da sustentabilidade. Além de cuidado ao receber as peças, que devem ser bem lavadas e passadas antes de postas à venda. O negócio de brechós está em alta no Brasil, infelizmente, sem toda a consciência ambiental necessária por grande parte dos empreendedores na coleta das peças, na preservação das mesmas e dos ambientes onde são expostas.

- AGRICULTURA ORGÂNICA -

A agricultura orgânica, impulsionada pela
preocupação com a saúde humana...
Também chamada de agricultura biológica, trata-se da proposta de uma agricultura sustentável, livre de pesticidas e qualquer outro tipo de produto químico que possam ser prejudiciais à saúde humana e para o meio ambiente. Descarta também a aplicação de fertilizantes químicos. No Brasil já há programas padrões para o desenvolvimento desta atividade, que pode ser praticada por grandes ou pequenos agricultores, muitas vezes coletivamente. Uma queixa comum dos consumidores é de que os produtos orgânicos ainda são caros... Algumas razões que contribuem com isso são: os custos de produção são mais caros por exigirem mais trabalho por unidade de produção; o manuseio pós-colheita tem um custo mais elevado pois trabalha com quantidades menores e exige mais trabalho; e os pontos de distribuição são menores exigindo também mais movimentação e a cobertura de maiores distâncias pelos agricultores... A sua popularização entre os produtores é que possibilitaria a diminuição dos custos ao consumidor. Seus benefícios, porém, são inegáveis e quem se permitiu experimentar não abre mão!

terça-feira, 21 de maio de 2019

Graxaim um Habitante dos Pampas...

graxaim ou sorro (nome científico Lycalopex gymnocercus) é um mamífero carnívoro da família dos canídeos, encontrado nos campos úmidos do Sul do Brasil, no Paraguai, no Norte da Argentina e no Uruguai, sendo conhecido como zorro de las Pampas nestes três últimos países. O graxaim chega a medir até 1 metro de comprimento, com pelagem cinza amarelada, o alto da cabeça marrom ferrugíneo, orelhas grandes e focinho afilado. Também é conhecido pelos nomes de graxaim-do-campoguaraxaim (do guarani aguara cha'î) e sorro (do espanhol zorro).
Seus hábitos são crepusculares e noturnos; é um animal solitário, encontrando-se aos pares na época da reprodução. Quando perseguido refugia-se em troncos ocos e buracos de tatu, e pode até se fingir de morto em algumas situações.
O graxaim entrou em situação de alerta no estado do Paraná por sua distribuição restrita, pela caça dele mesmo, pela caça de suas fontes alimentares e pela destruição de seu habitat — monoculturas como soja e pinus estão causando sua migração para outras áreas e morte por falta de fontes de alimentação. O gado solto nos campos nativos também é um dos grandes destruidores do seu habitat.
No mundo existem 35 espécies de canídeos silvestres, e destas, três habitam o território gaúcho: Chrysocyon brachyurus (lobo-guará), Lycalopex gymnocerus (graxaim-do-campo), e Cerdocyon thous (graxaim-do-mato). Os dois gêneros de graxaim são encontrados frequentemente nas fazendas da Região Sul do Rio Grande do Sul.
Não deve ser confundido com uma raposa ou a raposa-colorada. Esse animal é caraterístico da Campanha Gaúcha, que faz parte do bioma do Pampa. Sua existência está muito ameaçada no estado também por ser um animal que se torna oportunamente carniceiro e que invade fazendas atrás de restos de comida, e é covardemente morto por agitar os cães da propriedade, ou por atacar pequenos animais como galinhas ou patos. Se deixassem restos de comida do lado de fora o animal os comeria e deixaria a propriedade, mas pelo contrário, os fazendeiros envenenam essa comida, ou os caçam em suas tocas com fogo e cães de caça! Uma situação muito triste... Sem falar nas mortes que ocorrem por atropelamento na Rota do Sol (BR 453), estrada que liga a Serra Gaucha ao litoral do estado. Recentemente, numa tentativa de conscientizar os motoristas a dirigirem com mais cuidado, o Graxaim foi eleito o mascote desta estrada que se torna muito movimentada durante o verão!

Fontes: O Pioneiro e Wiki 


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A luz no fim do túnel...




Olá, Olá queridos leitores,


Uma excelente notícia aos amantes dos animais domésticos, especificamente aos amantes de cães. Já está valendo um Projeto da vereadora Maria da Graça Dutra (MDB - SC) que proíbe cães presos em coleiras.
No caso de cães agressivos, a lei permite o uso de coleiras vai-e-vem, com guias retráteis para permitir o movimento do bichano. A nova legislação já vigente em Santa Catarina, torna mais rígida  a definição de maus tratos: Maus tratos não se restringe a somente as agressões, mas também ignorar a necessidade que os cães possuem de se movimentar livremente.


Não é correto manter um animal em coleira pois isso impedirá que o mesmo se desenvolva adequadamente podendo ainda despertar os instintos agressivos comum a todos os cães.




Espero que está lei não fique apenas no estado de Santa Catarina, quem sabe em um futuro breve, esteja sendo vigente em todo nosso país. Só quem tem um bichano em casa sabe o  quanto nos dão prazer de sua companhia!
"Porque não podemos aceitar um animal ao qual adotamos ou compramos para fazer parte da família acabe como os cães na Groenlândia onde aproximadamente 21.000 cães vivem acorrentados. Animais de todas as idades. Cães jovens, idosos, doentes e grávidas vivem lá sob as piores condições e sob temperaturas baixíssimas, muitos passam suas vidas inteiras sem um lugar quentinho, e sem a menor compaixão de seus tutores, e morrem congelados ( fonte retirada do site www.newpangea.com.br)."
Isso é inadmissível! Se você decide ter uma animal de estimação, ele tem que fazer parte da sua família, brincar com seus filhos, receber atendimento veterinário, alimentação, canil ou casinha, caso contrário, não tenha!


Abraços e até!  

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Lobo Guará - O Lobo Gentil...

O lobo guará é um mamífero que está ameaçado em extinção. Diferentemente de outras espécies de lobo que vivem em matilha, o lobo-guará é um animal de hábito solitário, que vive no Cerrado brasileiro.
Considerado a maior espécie de canídeo das Américas, o lobo-guará não tem nada de mau, nem é agressivo. Ele é apenas curioso e pode se aproximar das povoações, assustando algumas pessoas.

Habitat

O lobo-guará vive em regiões abertas, como campos e matas de capoeira. Ocupa o bioma do Cerrado. Também ocorre em algumas regiões de transição para a Caatinga e Mata Atlântica, sendo encontrado principalmente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

Risco de Extinção


O lobo é considerado em situação vulnerável pela avaliação do Ministério do Meio Ambiente e o ICMBio. Essa situação varia de um estado para outro, sendo que no Rio Grande do Sul é considerado criticamente ameaçado.
A ocupação humana e a destruição do seu habitat natural são algumas das ameaças à sua sobrevivência. O Cerrado é dos biomas menos protegidos, apesar de possuir grande biodiversidade.
A proximidade do seu habitat com regiões ocupadas gera conflitos de convivência da espécie com o ser humano. É muito difundida a ideia do lobo ser mau e atacar os animais domésticos e as pessoas, mas ele não é agressivo.
Em certas regiões ele caça galinhas, despertando a fúria dos pequenos produtores rurais. No entanto, os ataques do lobo às galinhas não afeta tanto como se costuma pensar. Muitas vezes, são outros animais que atacam e os lobos levam a culpa.

Características


O lobo guará possui pelo amarelo-alaranjado, com as patas e o focinho pretos. O pescoço é branco assim como a ponta do rabo e dentro das orelhas compridas. A coloração varia de um animal para outro, caracterizando-os.
É um mamífero da ordem Carnivora, que pertence à família Canidae, assim como os cachorros, os lobos, os coiotes, as raposas, entre outros. O seu nome científico é Chrysocyon brachyurus. É o único representante do gênero Chrysocyon, endêmico da América do Sul.
É considerado o maior animal da família Canidae, com cerca de 80 a 90 cm de altura, até um metro de comprimento e pesando de 20 a 30 Kg. 

Alimentação

O lobo-guará é um animal onívoro, pois consome uma grande variedade de animais e frutos. Ele se alimenta de pequenos mamíferos, como gambás e roedores, além de aves, lagartos, cobras e insetos.
Ele gosta de uma frutinha cuja árvore recebeu o nome de lobeira por causa da sua preferência. Após comer a fruta-do-lobo ele ajuda a espalhar suas sementes, pois as elimina através de suas fezes.

Reprodução


Os jovens lobos-guarás em idade reprodutiva (fêmeas com um ano e machos com dois anos) formam casais e se reproduzem no outono (março até junho). Os filhotes nascem no período do inverno e primavera (de maio a setembro).
A gestação leva mais ou menos dois meses e nascem até cinco filhotes em média. As fêmeas tem os filhotes em tocas e os amamentam até cerca de quatro meses.
Os machos ajudam a cuidar da prole, e junto com as fêmeas, ensinam os pequenos a caçar por volta da época do desmame.

Curiosidades:

  • Os indígenas chamavam o lobo de aguará-guazú (o aguará grande) e depois passou a ser guará, ainda é assim chamado em algumas regiões. Não se sabe ao certo o significado da palavra guará, mas alguns pesquisadores acham que pode ser "fera".
  • Possuem excelente olfato e audição. As orelhas bem compridas amplificam os sons e ajudam a localizar as presas.
  • Os filhotes nascem com pelos pretos e quando crescem vão se tornando mais claros como os pais.
  • Os lobos-guarás podem viver de 12 a 15 anos.
  • O ano de 2015 foi definido pela Sociedade Brasileira de Zoológicos e Aquários como "Ano do Lobo" como forma de chamar atenção para o lobo e criou a campanha "Sou Amigo do Lobo".
Fonte: Toda Matéria  


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Doma Animal... Uma Vergonha que Persiste!





Por: Marcio de Almeida Bueno

No vídeo, o cavalo está caído no chão, com as patas amarradas, e preso a um poste de madeira. Ele se debate, tenta se levantar – sem sucesso. Um gaúcho se aproxima – aquele bem caricato, com roupa típica, bigodão – e, com o chicote, espanca o rosto do cavalo. A cena é brutal. A pessoa que filma dá risadas. Pela voz, percebe-se que é uma mulher.
Trata-se da doma, à moda tradicional do Rio Grande do Sul.
No outro vídeo de faça-você-mesmo, uma égua é presa pela primeira vez pela boca, em um campo cercado. A corda, firme, está em um palanque. O gaúcho dá um susto no animal, que sai correndo, na sua força, sem saber do resultado. A corda estica é dá um tranco daqueles, inesperado. Dor e pavor. O processo se repete, e a égua dispara pelo gramado e então recebe o impacto. Chama-se ‘quebra de queixo’, uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.
Não, o cavalo não é uma motocicleta que já vem de fábrica com acelerador, freio, marcha-a-ré e embreagem. Esses comandos todos são aprendidos, à custa de dor e, dali pra diante, temor para o resto da vida. Claro que a patricinha-de-feicibúqui que ‘adora cavalos’ e volta e meia vai a um sítio com passeios de montaria, jamais ficou sabendo disso. Não foi aos bastidores ver o choro do palhaço.
Porque estamos acostumados a ver o cavalo já com os arreios, com os apetrechos todos, na boca, cabeça, pescoço, costas, barriga. A propaganda é pesada, e mesmo um cavalinho de pelúcia, fofo, para dar de presente à namorada, já tem um arreio na boca. Reparem.
E há quem se auto-intitule vegano, abolicionista ou defensor dos direitos animais, algo cool, e ao mesmo tempo passeia no lombo de um equino. Falo aqui 1% da dor física – sim, já existe a ‘doma racional’, parente do abate humanitário – e 99% da dor moral, uma vez que aquele quadrúpede vai passar o resto da vida obediente, Joãozinho-do-passo-certo, temeroso da próxima vez em que *aquela* dor vai voltar. A prova é que o ‘freio’ do cavalo-motocicleta é um puxão nas cordas, com mais ou menos força.
Ninguém ousa se mexer na cadeira do dentista, quando “aquela” dor apita, não é mesmo?
E não citarei aqui a parte, digamos, odontológica aplicada ao nosso amigo cavalo, a seco, para fins de encaixe dos acessórios apropriados.
Bem, em 1984 fez muito sucesso uma música gauchesca – sim, há que se ter trilha sonora para o narrado acima – composta por Roberto Ferreira e Mauro Ferreira, chamada ‘Morocha’, cantada por um conjunto intitulado Davi Menezes Junior e Os Incompreendidos.
“Aprendi a domar amanunciando égua / E para as mulher vale as mesmas regras / Animal, te pára, sou lá do rincão / Mulher pra mim é como redomão / Paleador nas patas e pelego na cara”, diz o refrão da música. Traduzindo para a língua falada no Brasil, mais ou menos quer dizer que o autor aprendeu a amansar éguas, e aplica o mesmo procedimento às fêmeas de sua própria espécie, inclusive com uso de uma espécie de algemas e venda para os olhos – que fazem parte da doma equina, conforme o caso.
No vídeo disponível no YouTube, o cantor se apresenta com chicote na mão, e uma elegante senhora da platéia – com uma estola no pescoço equivalente a umas quatro raposas – passa o tempo todo vaiando e xingando os músicos. As demais mulheres focalizadas pela câmera aplaudem ou permanecem comportadas.
Curiosamente, uma música similar foi lançada em resposta à primeira. Intitulada‘Morocha, não’, de Leonardo, um dos mais conhecidos cantores-compositor da música regional do RS, já falecido, respondia às bravatas. “Ouvi um qüera largado, gritando em uma canção / que a regra pra um ser humano é a mesma dos animais / que trata que nem baguais / maneando patas e mão” diz um trecho. Nota-se, claro, o especismo. Não podemos ser ingênuos. O refrão é “morocha não, respeito sim / Mulher é tudo, vida e amor / Quem não gostar que fique assim / Grosso, machista e barranqueador”. Barranquear, traduzindo, é estuprar – isto vai ser contestado, mesmo que mentalmente, por muitos, que não vão se manifestar por vergonha – uma égua fazendo uso de um pequeno declive para que, digamos, os genitais fiquem na mesma altura.
Uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.

Fonte: Ambiente Legal 

sábado, 22 de julho de 2017

Futuro Incerto...

Alguém assistiu a entrevista com Yuval Noah Harari ontem? Autor dos livros Sapiens, uma Breve História da Humanidade, e Homo Deus? Bem a síntese de tudo o que ele disse é mais ou menos assim: A nossa tecnologia nos subjugará, e em seguida nos substituirá (Inteligência Artificial). Como essa inteligência será criada por nós que hipervalorizamos essa qualidade, a ponto de justificar o massacre de milhões de animais todos os anos devido a sua suposta falta de inteligência, com certeza seremos massacrados por essa mente artificial pelo mesmo motivo, ou seja, porque seremos menos inteligentes que ela... Enfim, temos de repensar nossa relação com a tecnologia tanto quanto com os animais domésticos, de criação e selvagens nesse mundo, pois como salienta o autor se NADA for feito, é isso o que nos espera!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

As Vítimas do Medo

Um alerta epidemiológico sobre a febre amarela, emitido pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (Cevs/RS) nesta semana, traz recomendações de controle e vacinação aos municípios gaúchos. Isso foi motivado por um surto da doença no Sudeste do Brasil.
A Secretaria Estadual de Saúde lembra que a última vez que a doença foi registrada no Rio Grande do Sul foi entre os anos de 2008 e 2009. Naquela ocasião, nove pessoas morreram em decorrência da doença. Alguns macacos também foram infectados.
“Os macacos se comportam como sentinelas da febre amarela. A doença é transmitida por mosquitos. Mesmo doentes, os macacos não têm a condição de infectar. Apenas os mosquitos têm”, esclarece o veterinário Marcelo Cunha.
Por isso, os macacos são um sinalizador para alerta da doença, e não um transmissor. “Os macacos são afetados antes dos seres humanos. Como os animais estão nas matas, mais expostos aos mosquitos, eles são mais sensíveis. Quando um macaco aparece doente, isso é um sinal que nós humanos estamos expostos também”, explica.


O veterinário Marcelo Cunha trabalha no GramadoZoo, na Serra. Na última semana, dois bugios com ferimentos,  aparentemente causados por humanos, foram encaminhados ao zoológico.
Um dos bugios está em tratamento e outro morreu
ao chegar no zoo (Foto: Reprodução/RBS TV).

Os veterinários e biólogos suspeitam que as agressões tenham sido feitas por moradores de proximidades da região, após uma relação precipitada entre os macacos e a febre amarela.
Conforme o veterinário Marcelo Cunha, “foi uma coincidência muito grande” dois macacos terem sido feridos depois da notícia da morte de dezenas de animais por suspeita de febre amarela no Sudeste do país. O primeiro bugio, vindo de Nova Petrópolis, foi levado ao zoológico no dia 9 de janeiro.
“Ele tinha ferimento cortante na mão direita, e tinha no olho direito uma dilaceração muito grande. Felizmente, não atingiu o olho. Esses não são ferimentos de briga característica entre eles. Agora, o bugio está se recuperando bem. Ele é um adulto de idade avançada”, explica Cunha.
Famílias de Bugios ameaçadas pela febre amarela
e pela estupidez humana!

O segundo bugio era jovem e foi levado ao zoo, no dia 12, e era da mesma região do macho adulto. “Ele foi ferido com tiro de chumbinho, e não sobreviveu. Tinha quatro marcas de tiro. Ele passou pelos atendimentos e não aguentou, morrendo no mesmo dia que chegou”, afirma a bióloga Tatiane.

Se outros macacos machucados forem encontrados, é necessário acionar a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) ou a Patrulha Ambiental. Mais uma vez, o veterinário lembra: “mesmo doente, o bugio não vai contaminar ninguém, ele é apenas um sinalizador da doença, por isso é importante localizá-lo”.
De acordo com a Fiscalização Ambiental de Nova Petrópolis, os bugios estão entre as espécies ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul devido à destruição de seu habitat natural, à caça e ao comércio clandestino. “Estes fatores agravam o estado de conservação desta espécie, que serve de sentinela para a febre amarela”, pontuou a fiscal ambiental, Cássia Hoffman.
Fonte: G1 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Girafas Ameaçadas?

O mamífero terrestre mais alto do mundo está em risco de extinção. A girafa foi colocada na lista vermelha dos animais ameaçados após sofrer um declínio de 40% de sua população nos últimos 30 anos. Anteriormente, a espécie era classificada como de "menor preocupação". Agora, passa para a categoria de "vulnerável".
De acordo com a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), que elabora a lista vermelha, a população de girafas despencou de 157 mil para 97 mil entre 1985 e 2015. Das nove subespécies de girafa, cinco possuem populações decrescentes, três tiveram aumento de população, e uma está em nível estável.
O novo relatório da organização foi divulgado nesta quinta-feira (8) durante a Cúpula da Biodiversidade, realizada em Cancún, no México. De 85.604 espécies analisadas, 24.307 estão sob perigo de serem extintas. 
Xodós de visitantes de zoológicos ao redor do mundo, as girafas sofrem em seu habitat natural, principalmente nas savanas africanas. O aumento populacional de países da África, a expansão da agricultura, o desmatamento, a caça ilegal e o impacto das guerras civis são apontados como fatores que estão empurrando o animal para o desaparecimento.
"Enquanto as girafas são comumente vistas em safaris, zoológicos e na mídia, as pessoas, incluindo os conservacionistas, não sabem que estes majestosos animais estão passando por uma extinção silenciosa", disse Julian Fennessy, co-presidente da IUCN.

Pássaros recém-descobertos estão ameaçados

A IUCN analisou a população de mais de 700 novas espécies de aves. De acordo com a lista, 11% delas está sob ameaça de extinção. Treze espécies identificadas recentemente, todas endêmicas em ilhas, já estão extintas. 
 
A perda de habitat para a agricultura e a degradação do ambientes naturais causada por plantas invasoras são fatores que pressionam as aves para o desaparecimento. O passarinho da Antioquia (Thryophilus sernai), por exemplo, pode ter metade de seu habitat destruído pela construção de uma barragem. 
 
O papagaio-cinzento africano (Psittacus erithacus), que possui a capacidade de imitar a fala humana, também pode desaparecer na natureza em breve. A ave passou da categoria de "vulnerável" para "em perigo" devido à caça ilegal e a perda de habitat. Estudos mostram que em algumas partes da África a população do pássaro sofreu queda de 99%. 

Fonte: UOL 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Uma Lenda Budista sobre Gatos


Para o budismo, os gatos representam a espiritualidade. São seres iluminados que transmitem calma e harmonia e, por isso, costuma-se dizer que quem não se relaciona bem com seu inconsciente nunca chega a se conectar por completo com um gato, nem tampouco entenderá seus mistérios.
A verdade é que ninguém se surpreende ao saber que a figura desses animais está unida ao budismo. Tanto é assim que na Tailândia existe uma lenda sagrada que transcendeu o tempo para converter os gatos em seres únicos de paz e íntima união, havendo vários em muitos templos dos países asiáticos. É por isso que é tão comum ver tantos gatos dormindo e enrolados nos braços das múltiplas estátuas sagradas de Buda e outros temas que enfeitam os jardins dos santuários.
Os gatos veem muito além de nossos sentidos. Entre suas horas de sonecas e seus momentos de brincadeiras e exploração, olham nossas almas com seu olfato refinado. Aliviam tristezas e nos preenchem com seus nobres e reluzentes olhares.
Frequentemente costuma-se dizer que ter um cachorro é ter o companheiro mais fiel que pode existir. Isso é totalmente certo. Mesmo assim, quem conhece o caráter de um gato sente que a conexão é mais íntima e profunda, e por isso diversos monges budistas como o mestre Hsing Yun falam do poder curativo desse animal. Convidamos você a descobrir-lo conosco.

Uma lenda budista sobre os gatos originária da Tailândia


Em primeiro lugar temos que saber algo muito importante. O budismo não está organizado em uma hierarquia vertical, como já sabemos. A autoridade religiosa descansa sobre os textos sagrados, mas, por sua vez, existe uma grande flexibilidade em seus próprios enfoques. A lenda que vamos mostrar tem suas raízes em uma escola específica: a do budismo theravada, ou o budismo da linhagem dos antigos.
Foi na Tailândia e dentro desse contexto que foi escrito “O livro dos poemas do gato”, ou o Tamra Maew, conservado hoje em dia na biblioteca Nacional de Bangkok como um autêntico tesouro que deve ser preservado. Em seus antigos papiros se pode ler uma encantadora história que conta que quando uma pessoa havia alcançado os níveis mais altos de espiritualidade e falecia, sua alma se unia placidamente ao corpo de um gato.
A vida poderia ser então muito curta, ou o quanto a longevidade felina permitisse, mas quando chegava o fim essa alma sabia que subiria para um plano iluminado. O povo tailandês daquela época, conhecendo essa crença, mantinha também outra curiosa prática…
Quando um familiar falecia, enterrava-se a pessoa em uma cripta junto com um gato vivo. A cripta tinha sempre um espaço por onde o animal poderia sair, e quando o fizesse tinham por certo que a alma do ser amado já estava no interior daquele nobre gato… Deste modo, alcançava a liberdade e esse lugar de calma e espiritualidade capaz de preparar a alma para o caminho posterior, o caminho de ascensão.

Os gatos e a espiritualidade

Dizem que os gatos são como pequenos monges capazes de trazer a harmonia a qualquer lugar. Para a ordem budista de Fo Guang Shan, por exemplo, são como pessoas que já alcançaram a iluminação.
Os gatos são seres livres que bebem quando têm sede, que comem quando têm fome, que dormem quando sentem sono e que fazem o que deve ser feito a cada momento sem necessidade de agradar ninguém.
Não se deixam levar pelo ego, e algo especial desses animais segundo esse ramo do budismo é que os gatos aprenderam a sentir o que vem do homem desde eras muito antigas na história do tempo. No entanto, as pessoas ainda não aprenderam a sentir o gato no presente.
São leais, fiéis e afetuosos, e suas demonstrações de carinho são íntimas e sutis e, ainda assim, tremendamente profundas. Só aqueles que sabem olhar para o seu interior com respeito e dedicação entenderão o seu amor inquebrável, mas as pessoas que são desequilibradas ou que frequentemente elevam sua voz para gritar jamais serão do agrado dos gatos.
Para concluir, sabemos que não é preciso recorrer aos textos budistas para entender que os gatos são especiais, que seus olhares nos transportam para universos introspectivos, que com suas estranhas posturas nos convidam a praticar a ioga, que são um exemplo de elegância e equilíbrio… Queremos o bem desses animais e até os veneramos e, ainda que eles mesmos se acreditem autênticos deuses lembrando quem sabe de seus dias no Antigo Egito, permitimos que eles sejam orgulhosos.
Todos temos nossas próprias histórias com esses animais, momento inesquecíveis que nos permitiram aproveitar pequenos instantes cheios de magia e autenticidade. Esses que seguramente serviram de inspiração para criar essa charmosa lenda budista que ficou impressa em tinta, papel e misticismo. A mesma que hoje nós queríamos contar e compartilhamos em nosso espaço com você.

Fonte: Revista Pazes