segunda-feira, 18 de julho de 2016

Uma Lenda Budista sobre Gatos


Para o budismo, os gatos representam a espiritualidade. São seres iluminados que transmitem calma e harmonia e, por isso, costuma-se dizer que quem não se relaciona bem com seu inconsciente nunca chega a se conectar por completo com um gato, nem tampouco entenderá seus mistérios.
A verdade é que ninguém se surpreende ao saber que a figura desses animais está unida ao budismo. Tanto é assim que na Tailândia existe uma lenda sagrada que transcendeu o tempo para converter os gatos em seres únicos de paz e íntima união, havendo vários em muitos templos dos países asiáticos. É por isso que é tão comum ver tantos gatos dormindo e enrolados nos braços das múltiplas estátuas sagradas de Buda e outros temas que enfeitam os jardins dos santuários.
Os gatos veem muito além de nossos sentidos. Entre suas horas de sonecas e seus momentos de brincadeiras e exploração, olham nossas almas com seu olfato refinado. Aliviam tristezas e nos preenchem com seus nobres e reluzentes olhares.
Frequentemente costuma-se dizer que ter um cachorro é ter o companheiro mais fiel que pode existir. Isso é totalmente certo. Mesmo assim, quem conhece o caráter de um gato sente que a conexão é mais íntima e profunda, e por isso diversos monges budistas como o mestre Hsing Yun falam do poder curativo desse animal. Convidamos você a descobrir-lo conosco.

Uma lenda budista sobre os gatos originária da Tailândia


Em primeiro lugar temos que saber algo muito importante. O budismo não está organizado em uma hierarquia vertical, como já sabemos. A autoridade religiosa descansa sobre os textos sagrados, mas, por sua vez, existe uma grande flexibilidade em seus próprios enfoques. A lenda que vamos mostrar tem suas raízes em uma escola específica: a do budismo theravada, ou o budismo da linhagem dos antigos.
Foi na Tailândia e dentro desse contexto que foi escrito “O livro dos poemas do gato”, ou o Tamra Maew, conservado hoje em dia na biblioteca Nacional de Bangkok como um autêntico tesouro que deve ser preservado. Em seus antigos papiros se pode ler uma encantadora história que conta que quando uma pessoa havia alcançado os níveis mais altos de espiritualidade e falecia, sua alma se unia placidamente ao corpo de um gato.
A vida poderia ser então muito curta, ou o quanto a longevidade felina permitisse, mas quando chegava o fim essa alma sabia que subiria para um plano iluminado. O povo tailandês daquela época, conhecendo essa crença, mantinha também outra curiosa prática…
Quando um familiar falecia, enterrava-se a pessoa em uma cripta junto com um gato vivo. A cripta tinha sempre um espaço por onde o animal poderia sair, e quando o fizesse tinham por certo que a alma do ser amado já estava no interior daquele nobre gato… Deste modo, alcançava a liberdade e esse lugar de calma e espiritualidade capaz de preparar a alma para o caminho posterior, o caminho de ascensão.

Os gatos e a espiritualidade

Dizem que os gatos são como pequenos monges capazes de trazer a harmonia a qualquer lugar. Para a ordem budista de Fo Guang Shan, por exemplo, são como pessoas que já alcançaram a iluminação.
Os gatos são seres livres que bebem quando têm sede, que comem quando têm fome, que dormem quando sentem sono e que fazem o que deve ser feito a cada momento sem necessidade de agradar ninguém.
Não se deixam levar pelo ego, e algo especial desses animais segundo esse ramo do budismo é que os gatos aprenderam a sentir o que vem do homem desde eras muito antigas na história do tempo. No entanto, as pessoas ainda não aprenderam a sentir o gato no presente.
São leais, fiéis e afetuosos, e suas demonstrações de carinho são íntimas e sutis e, ainda assim, tremendamente profundas. Só aqueles que sabem olhar para o seu interior com respeito e dedicação entenderão o seu amor inquebrável, mas as pessoas que são desequilibradas ou que frequentemente elevam sua voz para gritar jamais serão do agrado dos gatos.
Para concluir, sabemos que não é preciso recorrer aos textos budistas para entender que os gatos são especiais, que seus olhares nos transportam para universos introspectivos, que com suas estranhas posturas nos convidam a praticar a ioga, que são um exemplo de elegância e equilíbrio… Queremos o bem desses animais e até os veneramos e, ainda que eles mesmos se acreditem autênticos deuses lembrando quem sabe de seus dias no Antigo Egito, permitimos que eles sejam orgulhosos.
Todos temos nossas próprias histórias com esses animais, momento inesquecíveis que nos permitiram aproveitar pequenos instantes cheios de magia e autenticidade. Esses que seguramente serviram de inspiração para criar essa charmosa lenda budista que ficou impressa em tinta, papel e misticismo. A mesma que hoje nós queríamos contar e compartilhamos em nosso espaço com você.

Fonte: Revista Pazes  

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

À Terra Sagrada...

Encontrei isso no Facebook compartilhado por uma amiga da página de outra amiga... E achei simplesmente bárbaro! Depois de um 2015 onde vimos a cidade histórica de Mariana em Minas Gerais ser devastada por pura irresponsabilidade e cobiça, e ainda ver sua tragédia ser usada para pedir mais dinheiro que será desviado pela corrupção ululante que toma conta de nosso país...! 
Achar este texto me fez refletir sobre o fato de que nos falta mesmo é uma conexão mas sacra com a Terra. Os povos que hoje chamamos de primitivos aprenderam a sobreviver da natureza sem destruí-la porque a viam como sagrada, e viam a si mesmos como parte dela. Hoje num tempo e num mundo em que nada mais é sagrado, e em que usufruir as coisas é mais importante do que conhecê-las e preservá-las, faz-se urgente que nos conscientizemos como sendo parte da Terra, e de nos lembrar de que ela é sagrada sim, porque é a origem e a força mantenedora da vida! Leiam! Reflitam! Compartilhem!


"Não, quanto mais velha eu fico mais eu acho que acertei. Depois, temos sete bilhões de pessoas no mundo e um bilhão e duzentos milhões no perrengue. Eu tenho muitos deuses, sou politeísta. Tem uma frase do Álvaro de Campos que eu acho que foi feita pra mim: ergo em cada canto de minha alma um altar a um deus diferente. Eu vejo que as pessoas tem uma ideia muito de gente de deus. “Deus é fiel”. Fiel? Fiel é um adjetivo que fizeram pra gente, deus não cabe em um adjetivo que fizeram pra gente. Vai se foder, deus é fiel! “Deus é bom”. Não cabe. Não é. Deus é tsunami. Deus é geleira despencando, Deus é tempestade de neve, Deus é tempestade de areia. As religiões nos atrapalharam muito. O que essas religiões fizeram? Fora o budismo. O cristianismo, eu adoro Cristo, mas Cristo só trata do homem. E a floresta, que é nossa irmã? E a pedra, que é nossa irmã? E o cavalo? E o rato? E o vírus da Aids? E o Tubarão? São todos nossos irmãos. Então, na realidade, o que nós fizemos? Botamos um monte de coisa pro homem fazer e esquecemos do tempo em que a terra era sagrada. No tempo em que a floresta era sagrada, você pedia licença para tirar uma folha. Nos tempos em que o mar era sagrado, para os gregos era Poseidon, para os romanos Netuno, para os africanos Iemanjá, você não poluía o mar, né? No tempo em que o raio era sagrado, para os africanos Iansã, o trovão, Xangô, na hora em que a deusa raia e o deus trovão se encontram, tem a trepada do céu com a terra! E aí tem o orgasmo, que é a chuva, e a terra germina. Isso é sagrado! Agora nós… No sábado não pode fazer isso, porque segunda não sei o quê! Meu deus do céu! Esquecemos a mãe natureza! E essa profanação, gente?" 


Elke Maravilha.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Lago mais Poluído do Mundo!

O lago Karachay na Rússia é uma bomba relógio ecológica 
que pode explodir a qualquer momento... 
Uma herança macabra da Guerra Fria e 
do uso indiscriminado da tecnologia bélica! 


As aparências enganam. Esse lago, que eu não hesitaria em chamar de um dos mais belos do mundo, não é convidativo a ninguém que queira experimentar uma morte dolorosa em cerca de 1 hora.
Trata-se do lago Karachay, localizado no sul dos Montes Urais, na Rússia e, apesar de sua beleza, é considerado o lago mais poluído do mundo após ter sido usado anos como local de despejo de resíduos radiativos. Na época, o lago foi submetido a mais de 200.000 vezes a quantidade normal de radiação por causa do mal despejo de resíduos de instalações da União Soviética.

O assassino silencioso tem emitido uma dose letal de radiação a quem entra ou até mesmo se aproxima de suas águas nos últimos 60 anos. Na década de 40, a URSS construiu uma cidade secreta na região apelidada de Chelyabinsk-40. Seu objetivo era a produção de armas nucleares a partir do urânio-238, que era extraído das montanhas ao redor. O primeiro reator foi colocado em operação no ano de 1948, e convertia a todo vapor urânio em plutônio.
Mas as coisas foram mal planejadas. Ao construir as instalações, os soviéticos voltaram todo o planejamento e recursos para converter o urânio, e se esqueceram de se livrar seguramente dos resíduos. Como solução, eles começaram a despejá-los no rio mais próximo, o Techa, que fornecia água potável para 39 cidades e aldeias. E a dor de cabeça começou.
Depois de envenenar silenciosamente sua população durante 3 anos, a URSS enviou pesquisadores para averiguar se os resíduos estavam fora do normal. Eles ficaram chocados ao descobrir que outras áreas não emitiam mais do que 0,21 Röntgens (uma medida para a radiação) a cada ano, enquanto o rio Techa emitia 5 Röntgens a cada hora.

Como medida de emergência, as autoridades mandaram imediatamente represar o rio, erguendo barragens e evacuando toda a população das proximidades, mas isso não foi suficiente. Enquanto isso, a União Soviética encontrou outro lugar para despejar seus resíduos nucleares, o lago Karachay. Entre 3 e 4 décadas depois (a URSS foi extinta, e só depois que a Rússia reconheceu a existência em 1990), o lago Karachay era o principal reservatório de resíduos da usina de Chelyabinsk. As autoridades argumentaram que o lago não alimentava nenhum rio (e, de fato, não alimentava), de modo que teoricamente não havia modo de resíduos radioativos escaparem.
Leve engano. Anos depois, pesquisadores descobriram que as águas contaminadas do lago “vazavam” pelo subsolo do pântano Asanov.

Como se não bastasse, o calor durante uma seca em 1967 fez boa parte da água do lago evaporar, expondo os resíduos. Com o vento, uma poeira tóxica se formou e englobou 2,3 mil quilômetros quadrados, contaminado cerca de 500 mil pessoas. Foi relatado um aumento nos casos de leucemia em mais de 40% em alguns anos.
Hoje, o Lago Karachay emite 600 Röntgens por hora, radiação suficiente para matar uma pessoa em cerca de 1 hora. E a situação ainda pode piorar: a área é muito instável, de modo que se a única barragem do rio Techa quebrar, toda a radiação irá vazar para o pântano, percorrer o rio Ob e cair no Mar Ártico, onde as correntes a espalharia pelo Oceano Atlântico. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Um Milhão de Animais Mortos nas Estradas...

BR-101, norte do Espírito Santo, setembro de 2015. Um caminhoneiro sente um cheiro forte e localiza uma anta --o maior mamífero terrestre brasileiro-- na margem da pista, em estado avançado de decomposição.

Cinco meses antes, no mesmo trecho da rodovia, biólogos encontraram uma fêmea adulta de harpia, a maior ave de rapina das Américas, debilitada por fraturas e hematomas. Por ali, restos de retrovisor de caminhão. No mês anterior, a vítima fora uma onça-parda. As cenas com espécies ameaçadas de extinção são um retrato de um filme que não sai de cartaz no Brasil: a matança de animais por atropelamentos em estradas.


Essa é, de longe, a principal causa de morte de bichos silvestres no país, superando caça ilegal, desmatamento e poluição. São 15 animais mortos por segundo, ou 1,3 milhão por dia e até 475 milhões por ano, segundo projeção do CBEE (Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas), da Universidade Federal de Lavras (MG).

Quem puxa a lista são os pequenos vertebrados, como sapos, cobras e aves de menor porte --respondem por 90% do massacre, ou 430 milhões de bichos. O restante se divide em animais de médio porte (macacos, gambás), com 40 milhões, e de grande porte (como antas, lobos e onças), com 5 milhões.

A situação, dizem especialistas, é o resultado natural para um país que desconsiderou os bichos ao planejar as rodovias e ainda dá os primeiros passos na adoção de medidas para minimizar os impactos das vias.

Corrida Contra o Tempo

"Está acontecendo uma desgraça total e não temos tempo nem de estudar o que ocorre", disse à BBC Brasil Áureo Banhos, professor do departamento de biologia da Universidade Federal do Espírito Santo.

Banhos coordena um time que monitora os atropelamentos no trecho de 25 km da BR-101 que corta uma das manchas verdes mais intactas do país. É um mosaico de 500 km² (ou um terço da cidade de São Paulo) de unidades de conservação rasgado pela pista única da via.

Um exemplo do alerta do professor: das 70 espécies de morcegos identificadas na região, 47 já foram atropeladas na estrada - e uma delas era desconhecida da ciência até então. Ao todo, 165 espécies de diferentes animais perderam a vida por ali (10 anfíbios, 21 répteis, 63 aves e 71 mamíferos) - são 50 mortes por dia apenas nesse ramo da rodovia, ou 20 mil por ano.

Essa floresta integra as reservas de mata atlântica da Costa do Descobrimento, patrimônio natural da humanidade desde 1999. Por ser um raro fragmento contínuo de mata, é o último refúgio na região para várias espécies ameaçadas, como a anta, a onça-pintada, o tatu-canastra e a harpia.

O fotógrafo Leonardo Merçon, do Instituto Últimos Refúgios, fez um trabalho de registro da Reserva Biológica de Sooretama, a maior peça do mosaico verde da região. Impressionado pelos atropelamentos, acabou se engajando nas ações de conscientização para a gravidade do problema.

"Você nem precisa de dados para ver o impacto real do problema", afirma ele. Um vídeo do instituto que registrou uma onça-parda atropelada na estrada teve mais de 1 milhão de visualizações.

Em locais como esse, a perda de um único indivíduo pode ter impacto muito grande sobre a biodiversidade. "Engenheira" dos ecossistemas, por dispersar sementes e servir de presa para grandes predadores, a anta, por exemplo, leva 13 meses na gestação (com um filhote por vez) e demora dois anos entre as concepções. Um possível caminho para os animais cruzarem para o outro lado da via são os dutos de drenagem de água sob a pista, mas nem sempre é simples mudar os hábitos dos animais.

"No parque nacional Banff, no Canadá, os ursos demoraram oito anos para começar a usar esse tipo de passagem", afirma Alex Bager, coordenador do CBEE. No caso da BR-101, apenas 15% dos bichos atropelados usam as manilhas.

Ou seja, talvez seja mais fácil mudar os hábitos dos motoristas, por meio de ações como redução de velocidade, radares inteligentes que multam pela média de velocidade (e não em apenas um ponto) e placas de advertência.

A Eco-101, concessionária responsável pelo trecho da BR-101 em questão, diz que o segmento tem dois radares fixos, velocidade máxima de 60 km/h (especialistas defendem 25 km/h) e dez placas educativas. Afirma ainda promover ações de conscientização e que estuda a "ampliação dos dispositivos de segurança para os animais silvestres".

Ausência de Normas

A situação da BR-101 no Espírito Santo - que ainda enfrenta a perspectiva de duplicação até 2025 - é uma amostra aguda de um problema nacional. São mais de 15,5 mil km de estradas atravessando áreas de conservação.

Os pontos críticos estão por todo o Brasil. Um levantamento do Instituto de Pesquisas Ecológicas em três trechos de rodovias de Mato Grosso do Sul (1.161 km nas BRs 267, 262 e 163) entre abril de 2013 e março de 2014, por exemplo, localizou 1.124 carcaças de 25 espécies diferentes, como cachorro-do-mato (286 mortes), tamanduá-bandeira (136) e jaguatirica (7).

E não há normas nacionais específicas para a construção de rodovias que cortam reservas naturais. Tudo tramita como um licenciamento ambiental padrão. O problema vem mobilizando a classe acadêmica no país. Paralelamente a um boom nos estudos em ecologia de estradas, há articulações institucionais em curso no Congresso e em órgãos ambientais.

Um fruto recente desse debate é o PL (Projeto de Lei) 466/2015, do deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP), que busca tornar obrigatórias ações como monitoramento e sinalização em áreas "quentes" de atropelamentos, além da criação de um cadastro nacional de acidentes com animais silvestres.

Sobre essa última medida, um esforço nesse sentido já partiu da própria academia, com a criação do Sistema Urubu, uma espécie de rede social para compartilhamento e validação de informações sobre atropelamentos de bichos.

No ar há um ano, a iniciativa do CBEE conta com um aplicativo gratuito pelo qual qualquer pessoa pode fotografar e enviar imagens de acidentes com animais. Os registros são enviados para uma base de dados central e são validados por especialistas cadastrados no sistema, tudo online.

Já são cerca de 15 mil usuários cadastrados e mais de 20 mil fotos enviadas. Para entrar no sistema, cada registro precisa ser validado por cinco especialistas, e ter o consenso de três deles sobre qual é a espécie em questão - são 800 "validadores" ativos na rede, cada um especializado numa classe animal.

"Muitas vezes, as pesquisas sobre o tema no Brasil são muito regionalizadas, restritas ao raio da universidade por falta de recursos. Com o sistema poderemos criar um mapa de áreas críticas de atropelamentos no país e usá-lo como política pública de conservação", afirma Alex Bager, do CBEE.

Diante da perspectiva da fase mais explosiva de construção de estradas na história, com pelo menos 25 milhões de km de novas rodovias no mundo até 2050, especialistas defendem que essas intervenções passem, cada vez mais, por estudos de custo-benefício.

Seria um modo de evitar a proliferação de vias em regiões de alto valor ambiental mas potencial agrícola apenas modesto, como a bacia Amazônica. "Construir estradas é abrir uma caixa de Pandora de problemas ambientais, e ainda estamos na pré-história da mitigação de impactos", afirma Banhos.
Fonte: G1 


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Luz e Sombra na Defesa dos Animais


Definitivamente existem dois tipos de ambientalista neste mundo: Os que denunciam a violência contra os animais divulgando essa violência, segundo eles como uma forma de alertar as pessoas que vivem inconscientes dela de que ela ocorre todos os dias simplesmente para que se tenha nossa porção de carne e leite na geladeira do supermercado todos os dias à disposição! Por outro lado há aqueles que preferem inspirar a proteção animal e ambiental menos com indignação, e mais com conscientização. Segundo esses ambientalistas a divulgação da violência contra os animais só choca os mais sensíveis ao tema e talvez até instigue as pessoas que possuem esse tipo de perversão em estado latente. O que de fato é um risco bem factível!
Particularmente estou com o segundo grupo. Não acredito que purgar ódio contra aqueles que depredam a natureza e o meio ambiente fará o mundo um lugar melhor, nem a vida mais fácil! O movimento ambientalista deveria ser uma convergência de esforços para tornar a vida na Terra aceitável e boa para todos os seres vivos que nela habitam, e não uma loteria onde os mais fortes decidem sobre os mais fracos. O movimento ambientalista é, a meu ver, um movimento em prol da vida. Por esse motivo não poderia comportar nenhum tipo de rancor ou desprezo seja lá por quem quer que seja. Muitos dos empresários que poluem a terra e destroem florestas creem de todo coração que nosso planeta suporta mais um pouco de exploração predatória, e de que estão fazendo o melhor pelo progresso de suas nações, oferecendo emprego e trazendo o desenvolvimento econômico. Na verdade essas pessoas vivem uma profunda alienação sobre as verdadeiras condições ambientais, e tem por trás de si muita gente mal intencionada sim! Porém duvido muito que torná-los os "monstros" da vez ajude em alguma coisa. 
Esse modelo já foi utilizado demais, não concordam? Os nazistas culparam os judeus por seus problema econômicos, a sociedade inteira culpou os gays pela disseminação da AIDS no início dos anos 80, apelidando-a de "praga gay". Até quando nós teremos de odiar pessoas para nos mobilizarmos em nossas causas? Viver bem e melhor já não é motivação suficiente? Encarar as crises como uma demanda coletiva, e que deve ser encarada e combatida deste modo, não é uma proposta suficientemente forte  para que atuemos nessa direção? Dividir o mundo entre as pessoas boas e más deu origem a todo o tipo de incompreensão, perseguição e sofrimento. Precisamos entender que existem pessoas ignorantes e esclarecidas, individualistas e coletivas. As ignorantes devem ser instruídas, despertas. As individualistas devem ser alertadas para os benefícios que a partilha de interesses e esforços podem proporcionar à vida e a elas mesmas enquanto seres humanos.
Não creio que se mude a relação com o meio ambiente sem mudar a consciência das pessoas e a nossa própria consciência e modo de ver o mundo e as relações humanas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Recuperação da Fauna da Caatinga...


Determinar as melhores áreas do estado para criar novas unidades de conservação da Caatinga. Esse é o objetivo de uma equipe de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), envolvidos no Projeto Caatinga Potiguar.
Gato Morisco (Puma, Suçuarana, Onça parda, Leão baio, etc)
é retratado na Caatinga potiguar pelas armadilhas fotográficas.

A iniciativa pretende assessorar órgãos estaduais dedicados ao meio ambiente, ao realizar o levantamento ambiental de toda a porção do bioma – típico do semiárido – presente no Rio Grande do Norte.
A ideia é fornecer estudos detalhados que fundamentem a ampliação do espaço de Caatinga protegido permanentemente por lei no estado, que hoje corresponde a cerca de 1% da extensão existente, além de recolher informações padronizadas sobre a biodiversidade de aves, répteis e mamíferos na região. Para registrar os mamíferos em seu habitat natural, o grupo utiliza  armadilhas fotográficas.
Além disso, serão realizados mapeamentos participativos de uso e ocupação das áreas apontadas como importantes para a conservação e uma pesquisa envolvendo diretamente as comunidades afetadas por possíveis ações de criação de Unidades de Conservação.
Até hoje, 45% da cobertura original da Caatinga potiguar foi removida, e a taxa de desmatamento média – calculada entre 2002 e 2008 – é de 0,68% ao ano. Segundo um dos coordenadores do projeto, Carlos Fonseca, o estudo tem papel importante na conservação do bioma. “Essa pesquisa tem o potencial de mudar a política ambiental do estado”, ressalta.
A partir dos dados obtidos, os cientistas querem convencer o poder público quanto à necessidade de criação de novas áreas protegidas. As informações também servirão de base para a produção de duas teses de doutorado e de quatro dissertações de mestrado por estudantes do Programa de Pós-Graduação em Ecologia. O grupo de pesquisadores visa ainda à formalização de um grupo de pesquisa na UFRN voltado à conservação da Caatinga.
A ideia surgiu a partir das constatações de que havia uma enorme lacuna de informações científicas sobre a diversidade de espécies de animais na Caatinga do RN e um grande déficit de áreas protegidas nessa região. “Todas as áreas de preservação criadas na Caatinga foram aleatórias, sem políticas públicas consistentes para a devida conservação”, avalia Marina Antongiovanni da Fonseca, consultora e pesquisadora do projeto.
O cenário descrito por Marina tem origem em estudos períodicos que analisaram o surgimento de Unidades de Conservação nos biomas brasileiros desde 2000, quando o Ministério do Meio Ambiente (MMA) estabeleceu critérios para definir áreas prioritárias de proteção no País, através do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO/MMA).
Perguntada sobre a atual situação das políticas públicas voltadas à temática no Rio Grande do Norte, Marina diz crer que questões ambientais não são de fato prioridades nas agendas governamentais. “É uma política maior, que requer investimentos não só em nível estadual. A Caatinga é o patinho feio dos biomas, é o menos protegido e o mais desassistido deles”, afirma. “A conservação na Caatinga depende da sensibilização não apenas dos Governos, mas também de proprietários de terra, uma vez que quase todo o bioma consiste de propriedades particulares”, analisa.
No Rio Grande do Norte, apenas duas Unidades de Conservação foram criadas após 2007, sendo uma delas uma  Reserva Particular do Patrimônio Natural  (RPPN), resultante da iniciativa de um proprietário particular. “De um modo geral, as UCs criadas na Caatinga não seguiram as recomendações do PROBIO/MMA e foram alocadas independentemente dos apontamentos das áreas prioritárias”, aponta Marina Fonseca.


Gato Morisco (Puma) visto de perto.

A Caatinga é uma vegetação semiárida restrita ao território brasileiro e contém grande quantidade de espécies que se desenvolvem apenas nesse bioma. Cerca de 50% da sua cobertura vegetal original permanece intacta, apesar da alta densidade populacional e das altas taxas de desmatamento atuais. Hoje a Caatinga está fracamente representada na rede brasileira de Unidades de Conservação, com somente 1% em Unidades de Conservação de Proteção Integral e 6% em Unidades de Conservação de Uso Sustentável.
O Rio Grande do Norte possui 238 mil hectares em unidades estaduais de conservação, o que corresponde a 4,5% do seu território. A maior parte dessas unidades estão localizadas ao longo do litoral, como o Parque das Dunas, a Área de Proteção Ambiental de Jenipabu e a Reserva Estadual Ponta do Tubarão, em Macau e Guamaré. A criação e a gestão dessas unidades compete ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA).
O Projeto Caatinga Potiguar – formalmente intitulado “Oportunidades de criação de unidades de conservação na Caatinga, com ênfase no Rio Grande do Norte” – é coordenado pelos professores Carlos Fonseca e Eduardo Venticinque, do Departamento de Ecologia, e conta com a participação de alunos de pós-graduação da UFRN, além da colaboração do IDEMA.
A pesquisa tem parceria com a organização não-governamental Wildlife Conservation Society (WCS Brasil) e financiamento pelo Ato de Conservação de Florestas Tropicais (TFCA, na sigla em língua inglesa), acordo internacional entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil que tem recursos administrados pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).
PPGECO
O Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFRN é pioneiro no Nordeste e formou mais de uma centena de mestres e doutores desde 1997. Seu reconhecimento pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) ocorreu com a fundação da pós-graduação em Bioecologia Aquática, que foi ampliada dando origem a suas duas principais linhas de pesquisa: Ecologia Aquática e Ecologia Terrestre. Anualmente, cerca de 120 candidatos realizam as seleções para ingresso no Programa.
O PPGECO conta atualmente com 28 pesquisadores, sendo 19 permanentes e 9 colaboradores, formados em instituições de ensino superior de renome, incluindo estrangeiras, como as universidades de Oxford, de Londres, do Texas, de Oklahoma, de Montpellier e de Lund, além das brasileiras federais do Rio de Janeiro (UFRJ), do Paraná (UFPR) e do Rio Grande do Sul (UFRGS) e estaduais de Campinas (UNICAMP), de Maringá (UEM) e Paulista (UNESP).
Fonte: O Potiguar